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setembro 18, 2014

Para onde se vai quando não se tem destino?

Indagação filosófica, poética, provavelmente já atribuída à Clarice Lispector pela internet. Mas sempre foi uma dúvida sincera: quando bebês começam a andar, para onde eles vão? O que os chama?
Tentei observar isso ao promover caminhadas guiadas pelo Leon. Acabam virando algo como um zigue-zague maluco ou perseguição a cachorros com experiências sensoriais exacerbadas.
Pra quem não sabe sou do clube dos caminhantes lentos, dos degustadores de paisagem, observadores de formigas. Mas me sinto apenas uma amadora ao lado de bebês. Cada textura diferente no chão, cada pedacinho de papel, todas as bitucas de cigarro (para meu sofrimento), cada insetinho é notado, estudado e eventualmente enfiado na boca.




A presença de objetos no chão não só é notada como eles ainda servem de oferenda à maravilhosidade da mamãe. Tenho uma coleção de pedras provenientes de caminhadas com Leon. 


Qualquer relevo um pouco mais substancial já é motivo para a escalada e, em seguida, resmungos de "me acode!"


Mas a felicidade mesmo só vem quando ele avista um dos seus - outro neném. Ou au-aus, que são quase a mesma coisa. E aí ele finalmente encontra um foco pra sua jornada: persegui-los.




Sacolas, folhas, pedras levando o tato ao delírio





Com uma cabeça mais pesada que o tronco e desníveis no solo, cair é rotineiro.

mais pedras-presente ♥ 








Louco por recipientes como é, achou rapidinho uma tampinha e lá se foram dez minutos enchendo-a de terra.




Esconde-esconde



E, novamente, encontra um dos seus. Au-au!


E resolve persegui-lo por alguns metros, até que acha objetos brilhantes e desvia a atenção



Um mar de gelo!


Ops.




É muito gratificante ser espectadora disso tudo, tentar entender a visão de mundo de um recém-chegado. É uma visão de mundo especial que te faz repensar muitas das suas ideias e prioridades. Gratidão, Leon. 


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