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julho 18, 2014

As Pessoas da Semana VI

1. Na selva de pedra em que vivemos existem poucos momentos de união entre desconhecidos. Um deles é gol do Brasil, outro é quando aparece a velha bêbada tagarela no caixa preferencial lotado. Todos se entreolham com a expressão de "por que nós, por que esse caixa?" e se dão forças para enfrentar esse desafio, unidos. Bêbados tagarelas são sempre chatos e inconvenientes, não é?
Por sorte descobri que não e aprendi a olhar com carinho para uma ébria chata.
Existe, sim, um tipo de pessoa que passa tanto tempo sozinho, é tao ostracizado e tem tanta vontade de falar que acha agradável até a companhia de gente bêbada: velhinhos.
Assisti por alguns minutos a bonita dinâmica da bebum invadir o espaço pessoal da velhinha com elogios e opiniões não-solicitadas, ela não conseguir resistir e começar a falar sobre toda sua trajetória de vida com orgulho. (enfermeira aposentada, 84 anos, ajudou na fundação do HRAN, teve dois filhos, tem netos e bisnetos) Quando se despediram a velhinha tinha um ar muito leve e a senhora bêbada continuava bêbada e gritando, mas de uma maneira que agora soava agradável.




2. Tenho uma nova vizinha à esquerda.  Como é de praxe ainda não a vi, mas já sei que: come pipoca de microondas, pizza de microondas, faz sexo com o namorado o final de semana inteiro (comigo como ouvinte) e assiste televisão. Eu estava com medo de ter entrado em um vórtex temporal e morar ao lado da versão mais jovem minha e do Isaac, evitei a todo custo olhar para os novos moradores, todos sabem qual a regra principal das viagens no tempo e o que acontece se você quebrá-la. Mas um dia saí e vi a varanda: cheia de plantas bonitas. Definitivamente não sou eu no passado. É apenas alguém que já ganhou meu coração fornecendo a bonita visão.





3. No parquinho de areia encontramos essa menininha de quatro anos super disposta a conversar e bem focada na tarefa de fazer seu bolo de aniversário de areia. Ela não sabia de quem era o aniversário, estava concentrada apenas na tarefa de fazer a festa. Brigou inúmeras vezes com o Leon porque ele tirava os palitinhos que faziam as vezes de vela de cima do bolo. Quando finalmente conseguiu reunir as crianças e comemorar o aniversário, uma mosca começou a atazanar. Depois de espantá-la, ela conclui: "foi um aniversário muito estranho, tinha uma mosca"



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