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maio 24, 2014

As Pessoas da Semana V

Não andei atualizando essa sessão porque me encontro um tanto amarga ultimamente. Tentei olhar para as pessoas na rua, mas todos me irritavam. Tentei olhar para as crianças no parquinho, até de algumas senti raiva. Acho que é um problema interno. No entanto algumas poucas conseguiram se destacar ao longo dessas várias semanas, estive esperando juntar um número aceitável para colocar aqui. 







1. Tentei ir ao parque relativamente cedo para conseguir ler meu livro sem outras pessoas me interrompendo para conversar. Cheguei lá e só tinha uma mulher e uma criança. Ótimo, pensei, quanto menos gente menor a probabilidade de papo furado. E é óbvio que a mulher começou a puxar papo comigo das maneiras mais irritantes possíveis "ah, porque menino é maior mesmo" "muito legal seu cabelo, no clima da copa" "nossa mas seu marido deve ter pulado de felicidade quando descobriu que era menino né". No entanto relevei tudo com o maior sorriso na cara porque a criança que ela acompanhava, que descobri ser sua sobrinha, era a menina mais fofa do mundo. Ela usava uma camiseta de alguma personagem de desenho infantil com seu nome escrito, tinha o cabelo bem preto e volumoso, usava um rabo de cavalo e era estrábica. Estava brincando com uma bola rosa gigante quando o Leon chegou e ela se sentiu no papel de mentora, do alto dos seus quatro anos. Ensinava como chutar a bola, como colocar areia no banco, como subir a escadinha. A achei tão adorável que até gostei um pouco da sua tia tagarela quando descobri que as duas eram muito apegadas. 




2. Cabelinho loiro cacheado, carinha marrenta, baixa estatura, bochechas fofas de quem ainda não perdeu a gordura de bebê e... um repertório oral ABSURDO. Com seus um ano e pouco ela já formula frases, expressa sentimentos e, claro, solta impropérios para as crianças mais velhas e folgadas.








3. Não poderia não citá-la. O tal parquinho fica em meio a um gramadao descampado e rodeado por prédios. Sentada lá, ouço gritos horripilantes de uma criança. Olho pro lado e identifico um menininho já conhecido, andando com a mãe que carregava o bebê de dois meses em um canguru. O menino gritava muito alto, muito agudo e se recusava a andar. A mãe, além de estar carregando o bebê e arrastando um carrinho, ainda tinha que manejar para ir levando o menino pela mão, tendo o cuidado para não arrastá-lo pelo chão quando este se jogava. E ela não levantou a voz, não bateu, só seguiu em frente, esperando a crise dos terrible two passar. Nesse momento ela me pareceu a mulher mais inspiradora do mundo. E foi também um ótimo letreiro neon escrito "use camisinha"



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