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maio 16, 2014

A alimentação

Hoje é o Food Revolution Day, data criada pelo Jamie Oliver para incentivar crianças (e pais) a aprenderem a cozinhar, conhecerem suas comidas e, consequentemente, se alimentarem de maneira mais saudável.
Pegando esse gancho, quero comentar sobre a alimentação do Leon e tudo que já aprendi nesse meio-tempo.
Lembrando que tudo o que relatar, criticar e propor aqui é baseado na minha vivência de mulher da classe-média, e da minha realidade de mãe que pode ficar em casa com a cria. Se alimentar bem infelizmente não é algo barato ou para qualquer um.

 O Leon não vai tomar Toddynho, nunca tomou danoninho e tampouco degustou os brigadeiros da sua festa de aniversário. Já disse essas frases algumas vezes em voz alta e as reações giraram em torno de: "COITADINHO!", "ai que pena", "nem uma vezinha?". Não.
Quando alguém o vê roubando brócolis, abobrinha, beterraba do meu prato e comendo tudo costuma exclamar "nossa, ele GOSTA!?"
Uma das partes mais divertidas e ao mesmo tempo mais importantes de cuidar de uma criança é ser alçada ao papel de apresentadora do mundo. Suas primeiras impressões sobre tudo o que o sol toca se darão através das minhas próprias impressões. E com comida não é nada diferente. A maioria das pessoas já tem seu paladar viciado, cabeça povoada por propagandas ("vale por um bifinho!") e inércia, então se prendem a essas crenças de que criança não gosta de vegetais, de que criança precisa de açúcar pra ser feliz, de que açúcar é recompensa e vegetais num geral um castigo. "se você comer essa berinjela horrível mamãe te dá um pote de sorvete depois".
O que as pessoas esquecem é que, não conhecendo o sabor do açúcar e de industrializados num geral, ninguém sente falta e tampouco é tortura privá-los disso, nem que seja nos primeiros anos de vida. O que eles conhecem sobre alimentos é o que nós apresentamos. É um raciocínio tão simples, mas tão ignorado.
É inegável que a alimentação é o nosso contato mais íntimo com o mundo ao redor - afinal, estamos ingerindo o que brota dele. Inegável também é a relação que isso tem com a nossa própria saúde - que está muito longe de ser "loteria". Ninguém fica doente do nada, sem motivo. Ficamos doentes por deficiências e a melhor maneira de curar e balancear isso? Com comida.
Zelando pela saúde, skill essa adquirida com a maternidade, resolvi oferecer tudo o que há de melhor e educá-lo para fazer boas escolhas no futuro. Tudo começou com o marco dos seis meses, o fim da amamentação exclusiva. Dava alguns vegetais no vapor, frutinhas, tudo na mão mesmo (método também conhecido como BLW) para ele ir reconhecendo, sentindo as texturas, vendo as cores, provando aos pouquinhos. Logo inseri papinhas diversas, com combinações de tubérculos, leguminosas, grãos, raízes, folhas e muito tempero porque não utilizava sal.
Hoje em dia ele costuma tomar uma vitamina de espinafre/couve, banana, melão, maçã, ameixa/mirtilo e linhaça de manhã, almoça uma variada gama de legumes, verduras e grãos, come frutas ou frutas secas durante o dia e algum legume no vapor ou o resto do almoço no jantar. E muito leite materno, sempre!
 Preparar comida é uma forma muito elevada de amor. É você se relacionando diretamente com uma necessidade fisiológica do outro, é você dizendo "me importo com sua sobrevivência". Confesso que sou preguiçosa nesse campo e quase nunca cozinho pra mim. Mas quando ele ou qualquer outro ente querido está envolvido tudo some e a cozinha vira um campo muito divertido para experimentar, cortar, ralar, polvilhar, cheirar. E quando sua coordenação motora estiver nos trinques, cozinharemos juntos. Há programa mais divertido?

ladrãozinho de legumes crus

busted!


omnomnom

um dos almoços dele. creminho de sete grãos integrais com couve, espinafre e berinjela; abobrinha e vagem cozidas no vapor e shimeji na manteiga. Mal consegui bater a foto, ele já veio com a mãozona pra cima.
outro almoço sendo preparado: abobrinha, cenoura, sete grãos, chuchu, agrião e amor ♥







aveia, banana e mirtilo ao acordar






Mas não vou ficar listando tudo o que ele come porque é uma gama bem extensa de coisas. Quero falar, no entanto, do que eu deixo bem, bem longe, pra só ser descoberto nas suas aventuranças pelo mundo (ou na casa de parentes mal intencionados que espero que não existam):


  • Açúcar refinado - é um grande vício dos tempos modernos, do qual eu e quase todos que conheço somos reféns. não quero isso pro Leon. No momento não dou nada doce além de frutas, mas no futuro é claro que farei bolos, biscoitos, etc. Mas o açúcar refinado não é bem-vindo. Existem formas alternativas de se adoçar as coisas: melado de cana, rapadura, mel, stévia... tentei todas aqui, aprovadíssimas. 
  • Laticínios - com exceção ao próprio leite materno, tá tudo fora. Catarro, gases e indigestões são alguns dos efeitos deles no nosso corpo. No entanto, se algum dia for necessário para alguma coisa, usarei o Tipo A. Nunca se sabe quanto pús ou soda cáustica vai vir na caixinha do longa-vida, né? 
  • Carnes - ok, vez ou outra quando tem um frango desfiado no meio da comida eu até dou. Fora isso, nada mais. As proteínas? Vão muito bem, obrigada.
  • Salgadinhos, danoninhos, toddynhos e "inhos" num geral com cara de personagem de desenho na embalagem- comidinhas com alto teor de sódiozinho ou açúcarzinho idealizadas por publicitariozinhos para fingir que são feitos especialmente para criancinhas = tô fora.
  • Sustagen, leite ninho, mucilon, "engrossantes" num geral - tudo açúcar. não vlw. 




tudo o que disse aqui é baseado nas minhas decisões adquiridas depois de um montão de pesquisa sobre o assunto. não quero, no entanto, dar uma de nutricionista nem nada. por isso divido aqui materiais importantes e que realmente sanam dúvidas e ajudam a conduzir a uma decisão mais consciente acerca da alimentação infantil (ou da sua própria):

Sonia Hirsch - ela tem trocentos livros sobre alimentação e recomendo todos. Especialmente o "mamãe eu quero", "sem açúcar com afeto" e "só para mulheres". Todos estão à venda no seu site (ou na estante virtual. ou em pdf's pela internet. se aventurem).
Documentário "Muito além do peso" - um documentário brasileiro sobre a realidade da alimentação infantil.
Carol Daemon - muitas reflexões e matérias sobre nutrição.
Papacapim Veg - um blog cheio de receitas veganas maravilhosas, além de fotos muito bonitas
Delícias do Dudu - blog da mãe do Dudu, cheio de receitas para crianças. Ela também é moderadora do grupo:
Alimentação Consciente - grupo no facebook para a troca de informações acerca da alimentação infantil.
Do campo à mesa - um canal do youtube que investiga e revela a "verdadeira face" dos alimentos industrializados.




2 comentários:

  1. Que coisa linda! ♥ Engraçado que depois de tantos vícios, somente na fase adulta é que nos adaptamos a comidinhas saudáveis e coloridas e cheirosas e etc. Depois de acompanhar o seu cuidado com o Leon, tenho me tornado meio xiita, e mesmo não sendo mãe(ainda), fico perguntando: "mãe, com que idade você me deu Coca-Cola?", "mãe, eu comia muito doce?" e geralmente fico apavorada com a resposta. Dia desses vi uma vó dizendo: "minha neta come de tudo, mas ADORA um pirulito". Aiaiaiaiai...

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  2. Nossa, dá muito gosto ver o Leon comendo tanta coisa saudável <3 Parabéns, Sacha! Você faz da maternidade uma coisa linda :)

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