Páginas

janeiro 23, 2014

Nove Meses

E com o espanto de quem está presa em uma ilha com velociraptors e descobre que eles aprenderam a abrir portas, vejo o bebê aprendendo a descer da cama. Bundinha virada, não de frente como ele fazia antes e, caso eu estivesse minimamente distraída, resultava em uma pequena queda. Vira a bundinha, coloca o pé no chão e sai explorando, jogando, abrindo tudo que estiver pelo caminho - ou, como eu prefiro colocar, "vandalizando". Esses dias, em mais uma tentativa sucedida de descer da cama, eu, preguiçosa, tentei o persuadir a ficar. Sacudi um brinquedo na frente dele e disse "vem pegar". Qual foi meu espanto quando ele repetiu exatamente os mesmos fonemas, na mesma ordem e dando um sorriso maroto? Achei que tivesse sido delírio de mãe coruja, mas o Isaac estava com os mesmos olhos arregalados após a frase ser proferida daquela boca desdentada. Óbvio que fiquei repetindo-a a exaustão esperando outra réplica, mas ele cansou de me imitar e só ignorou.
Assim que são os nove meses? Agora ele está a tanto tempo fora do útero quanto esteve dentro. Já aprendeu tanto aqui quanto havia aprendido lá. É quase gente: quase anda, quase fala, quase mastiga, quase dorme sem ajuda, quase consegue entender que se se jogar da cama vai machucar. Tá legal a transição. Sempre surge uma anciã na rua para me abordar e dizer "aproveita que essa fase é boa, depois só piora". Já me falaram inúmeras vezes: aos três meses piorava, aos cinco, seis, oito, nove. Nunca vi. A única coisa que notei é que há um deslocamento de energias. Se antes eu me focava em segurar o corpo todo molenga e carregá-lo comigo o tempo todo, hoje foco em prestar atenção nos objetos ao redor para ele acabar não se matando. Mas saber que ele tem a capacidade de se deslocar até o objeto de seu interesse e erguê-lo já me dá o maior orgulho. Mesmo sabendo que isso pode ser usado para o mal, como para bater na minha cara. Ou na própria cara.
A comida também vira toda uma nova questão. Seu alimento principal continua sendo o leite materno, a comida aparece no almoço, às vezes no jantar e em frutinhas durante esse meio-tempo. Ele tem muito interesse, fica extremamente frustrado quando eu não o deixo pegar a colher para se alimentar sozinho. Geralmente dou pedacinhos na sua mão e ele vai beliscando com os quatro dentinhos. Não é muito bom mastigador, permanece com a comida na boca por horas, mas faz o melhor que pode.
São tantas, mas tantas habilidades aprendidas em tão pouco tempo que já tenho visões de um bebê em um mini-terno dizendo "vou sair de casa, quero viver minha vida e ser independente".

O mundo? Manjo muito.




* organizei todos os posts por tags simples e abrangentes. estão listadas ali do lado ♥

Nenhum comentário:

Postar um comentário