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novembro 25, 2013

As Pessoas da Semana III






1. Estava indo comprar legumes e, ao olhar no fundo de uma quadra comercial, avistei uma loja interessante. Era dessas loja esotéricas, cheirando a incenso e cheias de cristais. Meu tipo preferido de loja, desde a infância. Não hesitei em entrar, manusear tudo, chorar um pouquinho ao vislumbrar um tarô do Dali e catar uns incensos diferentes para experimentar. Enquanto estava no caixa, vejo essa figura chegar. Não tinha jeito de quem frequenta loja esotérica, ele estava vestido como um "homem de negócios". Achei que fosse conhecido da dona, mas não. Olhou simpático para mim e para o Leon, perguntou o nome, soltou elogios e olhou para a dona da loja e solicitou turmalinas. Saiu com umas cinco no bolso e eu me peguei pensando em uma vida paralela a de homem engravatado que ele dedica ao conhecimento espiritual das pedras preciosas.




2. Quando saí de casa, avistei essa velhinha. Andava devagar, olhava pra cima, para os lados, parecia um tanto desorientada. Mas continuava rumando, dei de ombros. Ao voltar, depois de quase uns quarenta minutos, avisto-a no mesmo lugar, mas fazendo o caminho de volta. Continuava do mesmo jeito: olhando para cima, para os lados, andando bem devagar, parando e colocando o dedo na cabeça, como se precisasse se lembrar de algo. Preocupada, achando que talvez ela estivesse perdida, passei por ela e dei bom dia (um esforço quase sobrenatural para mim). Ela não só respondeu animadamente com um sotaque italiano como começou a me inundar com Máximas de Vó™: "benzadeus", "será que ele tá com frio", "você entende sua mãe agora, né?", "que coisa gordinha", "passe muito protetor solar", "meu netinhos...", "filho é o maior amor de deus", "olha bem pra pista antes de atravessar", etc. Ela não estava perdida, só gostava de observar os arredores com calma.




3. Vi um velhinho maltrapilho agachado, futucando uma árvore. Olhei direito para tentar entender e notei que perto da raiz havia um buraco, parecia um cano. Ele mexia lá dentro. A mente foi a mil: será que ele escondeu algo lá na adolescência e está voltando pra procurar? Será que está caçando duendes? Será que está escondendo algo agora? Será que está procurando por alguma planta com propriedades mágicas? Será, será, será, será... nunca vou descobrir. Ao menos que vá futucar árvores também. 





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