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outubro 29, 2013

As Pessoas da Semana I

Sempre fui um tanto introspectiva. Detesto papo furado com desconhecidos, detesto conselhos não-solicitados no meio da rua (prática usual de transeuntes quando eu tinha cabelo colorido e que voltou com peso agora que tenho um bebê). Curiosamente, gosto de pessoas - observo-as em segredo, de longe. Mas gosto. E notei que alguns desconhecidos me marcam de uma maneira ou de outra, então resolvi relatar aqui, semanalmente, minhas impressões acerca de alguns seres humanos capazes de me fascinar.


1.

Eu estava sentada - e inquieta - na parada de ônibus às dez da manhã. Estava lá há algum tempo e o ônibus, que deveria ter passado há trinta minutos atrás, não dava nem sinal. Então esse velhinho desdentado vem chegando, de mansinho. Ele usava uma camiseta que mais parecia um abadá. Estampada nela haviam umas imagens de praia e "PIAUÍ" escrito, grande. 
Ao chegar perto de mim, solta um "boa noite" meio incompreensível, por causa da falta de dentes. Eu respondo com um aceno de cabeça e um sorriso. Ele emenda: "você nem ouviu o que eu falei... dei boa noite! hahaha". Pronto, ganhou pontos comigo e eu poderia suportar o papo-furado com esse desconhecido sem desejar ter um avc só para poder fugir daquela conversa. Então ele pergunta se estou esperando ônibus. Digo que sim e ele, entre uma escarrada e outra no chão, diz: "vou te dar um conselho... vende esse ônibus e compra um carro pequeno". Depois começou a murmurar coisas que não entendi muito bem, dentre elas um "carro é tudo burro, anda um atrás do outro pra não se perder", sempre cuspindo no chão. Logo quando havia começado a achá-lo uma companhia agradável, meu ônibus finalmente passou, deixando o velhinho conversando apenas com a outra moça da parada, que não parecia tão receptiva assim. 
NOTA: ♥♥♥♥





2. 

Nesse mesmo dia, antes do velhinho aparecer, me deparei com essa moça.
Eram dez da manhã e a parada fica perto de um parque, logo, é comum ver pessoas com seus trajes de caminhada e fones de ouvido passando por todos os lados. Essa mulher não era diferente. Óculos de sol, roupa de lycra, fone de ouvido, garrafinha d'água, tênis. Mas havia algo especial apesar de toda a indumentária ordinária. 
Ela cantava, a plenos pulmões, a música que estava ouvindo. Em inglês, com uma pronúncia meio capenga, mas cantava sem se importar com os outros olhando. 
Como sou um tanto travada socialmente, achei o máximo. Me senti inspirada para cada vez mais performar atos ao ar livre sem me importar com os passantes. 
NOTA: ♥♥♥♥♥



3.

Sabado à tarde, com preguiça e enfurnada em casa, ouço, da minha janela, um grupo de crianças gritar em uníssono: "vamos salvar o mundo! vamos salvar o mundo!". Achei pretensioso porém fofo e consegui esboçar um sorriso para a situação.






NOTA: ♥♥♥




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