Páginas

janeiro 08, 2015

Diário de bicicleta

Em 2012 arranjei um belo de um estágio na faculdade. Era tudo tão enrolado e atrasado, dentro dos padrões da universidade de brasília, que o que acabou acontecendo foi: trabalhei por uma semana e recebi por seis meses. Três desses pagamentos vieram de uma vez só.
Ao mesmo tempo descobri a gravidez. Descobri tarde, com quatro meses. Mas por meio de puro impulso e de uma grana gorda na conta, resolvi: compraria uma bicicleta. E foi. Andei uma, duas, três vezes e aí a barriga ficou grande demais para ser seguro andar daquele jeito. Depois da barriga teve bebê recém nascido, teve quitinete amontoada de coisas e a bicicleta descansando indefinidamente na varanda, ocupando espaço. Aí o bebê cresceu e conseguimos um lugar bem maior para morar. Pensei primeiramente em vender a bicicleta. Perguntei a alguns conhecidos se havia interesse e por sorte não achei nada concreto. Mas aí uma amiga recém apaixonada pelas rodas fez minha cabeça. Ia mantê-la, arranjar uma cadeirinha de bebê e passear por aí. Eu, de fato, precisava largar o sedentarismo. E o lugar onde moro é agradabilíssimo para ciclistas. Tem ciclovia, o terreno é relativamente plano, os carros têm o costume de parar na faixa, nos domingos o eixo monumental fecha para carros para dar lugar às bicicletas, patins, patinetes, crianças brincando e demais programas familiares, a infra-estrutura é realmente boa. Só que no meio dessa decisão surgiu uma amiga querida precisando de bicicleta por um período de tempo e como eu sabia que ela precisaria bem mais do que eu, emprestei e um mês ou mais se passaram desde esse momento.
A reavi e não perdi tempo: comprei uma cadeirinha e comecei, no impulso mesmo. Antes tentava encontrar desculpas por meio de racionalização excessiva: nunca andei com um bebê na bicicleta e nem sei andar de bicicleta muito bem, vou matar nós dois. Por sorte tenho alguns surtos de rompimento com a aura de virginiana e decidi ir mesmo assim. De fato, mal sabia andar: quando comprei a bicicleta fazia dez anos que não andava. Não conseguia fazer curvas, não conseguia andar muito sem cansar, não tinha um desempenho lá muito exemplar. Um dia, inclusive, encontrei um grupo de amigos ao voltar do mercado e enquanto sabia que eles poderiam me ver, fui conduzindo a bicicleta pelo chão, tamanha a vergonha da minha habilidade.
Ignoradas essas informações, fui. E percebi que a coisa realmente não estava boa pro meu lado, tanto no quesito habilidade com a bicicleta quanto no quesito saúde: não conseguia andar mais de 100 metros sem parar esbaforida atrás da garrafinha d'água. E daí tirei minhas forças pra continuar, comecei estabelecendo metas: andar a quadra sem parar, andar até uma distância x, ter força pra subir ladeiras, e daí por diante. Tudo na companhia adorável do Leon, o que torna as coisas mais divertidas. Diria que estou evoluindo bem, cada vez sinto mais força nas pernas e consigo pedalar por mais tempo sem parar. E minhas metas estão cada vez mais ousadas, hoje decidi que só irei na futura escola do Leon saber a respeito da matrícula quando pedalar até lá, coisa de 4,5 km.
Mas os benefícios não vivem apenas no mundo das abstrações, junto com minhas metas cumpridas, eles são palpáveis também: meu maior problema, binge eating, é reduzido consideravelmente nos dias que pedalo (acho que porque a ansiedade vai embora com a respiração ofegante); não há sensação mais deliciosa do que um banho após chegar em casa, coisa de renovar os ânimos mesmo; andar pelas redondezas ficou muito mais viável: com um bebê existiam lugares que eram próximos o suficiente pra não fazer sentido ir de ônibus mas distantes o suficiente pras minhas costas não aguentarem carregar doze quilos até lá; começamos a visitar mais parquinhos e, claro, a sensação de lutar contra o sedentarismo é ótima.
E espero que esse ano regido por Marte traga consigo muita força de ação e disposição para essa nova atividade na minha vida!

novembro 20, 2014

Foi Gaia que me deu

Estou longe de ser blogueira profissional ou coisa que o valha, muito menos tenho a aspiração. Sendo assim, não é hoje que vai chegar caixinha com produtos de beleza em troca de uma breve puxação de saco para alguma marca.
Entretanto eu tenho lá minhas trocas de favores, mas meu assunto é direto com Gaia, não com social media, o que me faz sentir um pouquinho mais íntegra nesse trabalho.
Há algum tempo entrei em um processo longo e cheio de nuances envolvendo auto-cura, reverência, gratidão e amor, mas que acredito que pode ser resumido em "virei uma hippie maldita". Quando me mudei para um lugar maior logo me prestei a cuidar de plantas e venho sentindo um verdadeiro prazer nisso. Não tardei em receber presentes por causa disso. Minha Espada-de-São-Jorge veio de uma amiga que lembrou que a tinha na varanda de casa, esquecida e sem água há algum tempo. Chegou murchinha, caída, meio amarelada. Mas não tardou a ficar bonita, erguida e verdinha quando recebeu amor e cuidados (inclusive beijinhos do Leon). 


Hoje me deparei com um presente maior ainda. Indo passear com a cria, estava em dúvida se seguia para a direção norte ou para o sul. Em um ímpeto, meus pés foram indo pro norte, vamos nessa. Não estava muito distante de casa quando notei essa plantinha caída dentro de uma caçamba. Seu vaso estava quebrado, acredito que a jogaram fora só por isso, pois ela mesma estava linda, verde e saudável. Eu estava com um bebê de doze quilos no sling, então tive que pedi ajuda para pegá-la, só para então entrar em uma odisséia para encontrar um vaso. Rodei a quadra inteira com olhos de lince, tentando achar um vaso grandinho para a minha amiga residir, tudo sob protestos do Leon, que não queria ficar no chão e tampouco no sling. No fim acabei indo a uma loja e comprei um balde para dar um jeito temporário nisso. Consegui reaproveitar a terra que estava no seu vaso antigo, pelo menos. E agora ela está assim, trazendo alegria pra minha sala, ao lado do meu altar. Já recebeu uma lufada de boas vindas de incenso de eucalipto, já recebeu mãozinhas de neném enfiadas na sua terra, já até descobri seu nada lisonjeiro nome: Pau D'água (ou dracena de venus, que é como vamos chamar, ok?). Que seja muito bem vinda. ♥




novembro 15, 2014

Trabalhando com a lua


A Mulher, a Deusa, a Lua e a magia de sangue

Por Gaia

  
Mulheres vêm sendo associadas com a lua por mais tempo do que o ser humano vem sendo humano. Diferente do homem de antigamente, mulheres conseguiam sangrar em harmonia com os ciclos da lua e sem estarem machucadas para tal.
Quando mulheres moram juntas e têm relações próximas, seus ciclos se tornam coordenados: em um ambiente propício elas tendem a ovular na lua cheia ou em um período próximo e sangrar na lua nova ou minguante. Ademais, sangue menstrual tem várias qualidades mágicas: atrai alguns animais e repele outros; e é um excelente fertilizante. Imagine o efeito que isso surtia no homem de antigamente, que sangrava apenas quando corria grande perigo ou estava muito machucado e que sobrevivia de caça e agricultura.

"A menstruação é a coisa mais regular que acontece com seres humanos. Aqui jaz o poder genuíno e o que isso significou para a história da humanidade. A menstruação e sua conexão com o movimento regular da lua nos deu o tempo em grandes medidas e proporções exatas. Sem a menstruação e as ciências de medidas que as mulheres desenvolveram ao ver primeiro a lua e então as estrelas, não haveriam relógios, não haveriam astrônomos, nem matemáticos ou físicos, nem astronautas, nenhuma arquitetura ou engenharia que nasceu das formas exatas de medidas e proporções. Nós poderíamos construir um ninho, como pássaros; mas não uma pirâmide ou retângulo ou qualquer outra forma regular e geométrica. A geometria é um presente da menstruação." 




O Cinturão da Xamã


Conforme mulheres aprendiam a controlar os produtos do seu corpo, outro resultado foi a arte mágica, que se desenvolveu a partir dessas propriedades físicas -- o poder do sangue e seu efeito em animais e plantas. A sabedoria de como usar o sangue menstrual como uma força positiva/ negativa, deu às mulheres uma magia especial para caçar, rastrear e fazer armadilhas, e para fazer truques com os animais da família, assim como com as plantas. O xamanismo e sua irmã feitiçaria, surgiram de tais artes. 

A primeira vestimenta pode ter sido um cinto menstrual -- não por recato ou limpeza, mas usado para capturar a valorosa substância do fluxo do mês para usá-la nas ciências aplicadas e na magia. Se você olhar para imagens antigas da Deusa, chamadas de "estatuetas de Vênus", você verá que a maioria delas está usando apenas "cintos" pendurados logo abaixo dos quadris.





A amiga da Mulher, Sabás e Veneração


A palavra mais antiga para menstruação significa "a amiga da mulher". Em algumas culturas, a menstruação era originalmente chamada "tupua", uma palavra Polinésia que significa "valiosa", "sagrada", "maravilhosa", "mágica"; a palavra e conceito de "tabu" se desenvolveu daí. 
Os dias de menstruação eram mantidos separados dos outros. Na Babilônia, eles eram chamados "sabbatu", de onde tiramos "sabá". Repetidas práticas onde mulheres se desenvolviam afim de ensinar, confirmar e socializar os poderes da menstruação eram chamadas por palavras derivadas de "ritu" -- na origem, rituais e ritos significam práticas menstruais públicas. 

A genitália feminina, fonte de sangue para a magia da caça e agricultura, fonte de cálculo de tempo, fonte da contagem e medição, fonte da geometria e bebês e cordões umbilicais e o conhecimento de nós, das conexões, do florescimento e frutamento e desejo -- a genitália feminina era adorada, o corpo feminino era tido como valioso como fonte e como força; tido como valioso por causa da ciência produzida em si e da riqueza de cultura que seguiu.
Então COMO fomos de "adoração" e "a amiga da mulher" para a "maldição nojenta"? A resposta é uma longa história de poder, autoridade, seus abusos e relações públicas. Uma das mais importantes e surpreendentes histórias da terra diz respeito da inveja que homens sentem de mulheres -- seus mágicos poderes de menstruar e dar à luz, e as soluções que elas criaram para lidar com isso

Nas culturas ao redor do mundo, existem práticas masculinas que envolvem algum tipo de cortes na área genital para imitar uma vagina sangrando. Por exemplo, mesmo quando um homem judeu nasce circuncidado, ele deve fazer o corte porque é necessário que esse sangue realmente flua dos genitais. em muitas tribos aborígenes isso envolve práticas mais severas -- até o corte da parte de baixo do pênis - chamada "subcisão". Em algumas tribos, mulheres mais velhas falam para as mais novas "não ria do homem menstruado". Elas sabem do que se trata - e hoje em dia, nós também sabemos.

No mito grego, o herói (originalmente aquele que era dedicado aos serviços da Deusa Hera) Héracles (mais tarde Hércules) vai a uma jornada para roubar o cinto xamânico da rainha Amazona Hipólita -- será essa, talvez, uma importante história simbólica, com uma importante mensagem para nós?

A inveja que muitos homens sentiam ou sentem dos poderes produzidos pelos corpos das mulheres constitui a base de grande parte do seu comportamento coletivo. Homens no geral começaram a imitar a menstruação com seus próprios corpos e fingindo dar a luz (por exemplo, a história de Zeus dando a luz a Deusa Atena da sua cabeça; o deus Marduk do Oriente Médio que desmembrou a Deusa Tiamat e dos pedaços do seu corpo gerou o mundo; ou o deus Cristão dando a existência ao universo através da fala). Conforme a imitação masculina da menstruação na sociedade é performada de maneira mais descarada e os homens começam a tomar o controle dos poderes que as mulheres criaram e antigamente controlaram, a menstruação autêntica é varrida pra debaixo do tapete. O sangue que a mulher produz mensalmente é escondido, proibido, declarado "impuro" e até vergonhoso. Mulheres são excluídas de vários ofícios que desenvolvemos, especialmente durante a menstruação e a gestação.

Os tabus menstruais começaram como uma maneira de proteger objetos cerimoniais do abundante poder mágico da menstruação - era temido que a menstruação era tão poderosa que poderia "diminuir" o poder de outros objetos mágicos ou ritualísticos. Só mais tarde, conforme as religiões patriarcais tomaram poder, os tabus se tornaram negativos. Hoje em dia mulheres são proibidas tanto de tocar em altares de algumas religiões como até entrar em algumas áreas de igrejas ou templos.

Derramamento de sangue masculido é considerado "purificador", enquanto ao mesmo tempo o sangue natural da mulher é considerado "sujo". O conceito de impureza ritual foi usado por homens para suprimir a esfera de influência das mulheres. O rótulo patriarcal "impuro" foi usado para rebaixar costumes matriarcais ou da Deusa. Por exemplo, o porco era sagrado para Demeter e muitas outras Deusas; então os primeiros Judeus e Muçulmanos patriarcais o declararam impuro; e isso começou a ser usado como símbolo para rebaixar todas as mulheres. 

Em vários mitos, o caldeirão era usado como o útero símbolo da Deusa, de onde todas as coisas vem e para onde todas as coisas irão para serem recicladas -- e o caldeirão foi demonizado pela religião patriarcal. 
A aranha era o aspecto simbólico da face "tecelã" da Deusa, que tece o destino de todos. Existem dúzias de exemplos parecidos. O pentagrama sagrado da Deusa, escondido no cerne da maçã, sua fruta sagrada de imortalidade -- foi transformada pela religião patriarcal em um símbolo "satânico" e a fruta transformada em um sinal negativo de rebeldia.

Da esplêndida história da menstruação como uma força de relações públicas, caracterizada por templos deslumbrantes, roupas especiais e decorações corporais, banquetes, festivais, etc -- de uma posição central para a cultura humana e a porta de entrada por onde mulheres alcançavam o status de adultas com influência política e científica -- menstruação vem sendo violentamente anulada ao longo dos séculos e transformada em um ato vergonhoso, privado, comparado a estar levemente doente ou fraca. O status e controle social das mulheres descendeu com a queda da menstruação.

A História é uma das maiores contorções que as sociedades sofreram, enquanto homens consolidam sua recém-nascida autoridade imitando, substituindo e violentamente derrubando a antiga autoridade feminina, que deriva dos poderes do seu próprio corpo.



Reinvidicando o Cinto da Xamã e a Magia da Lua


As sacerdotisas de tempos antigos ficariam enfurecidas se pudessem ver o que aconteceu com seus pães e refeições sagradas; se elas pudessem ver como estamos tirando os elementos vitais da farinha para dá-las à "vida de prateleira" (e inserindo vários químicos nela e no resto da nossa comida, produzindo efeitos nocivos à nossa saúde) de tal modo que assim várias mulheres acreditam que sua sagrada e poderosa menstruação é uma maldição. Não deve ser! Com uma nutrição sensata e práticas saudáveis, nós não sofremos com os problemas físicos que muitas sofrem com a chegada da menstruação.

Então podemos começar a reinvidicar os poderes mágicos do sangue. Nós podemos ver a lua com novos olhos, ouvir a palavra "poder" com uma nova compreensão. 


Mulheres por todo mundo começaram novamente a celebrar seu sangue sagrado com a menarca e outros rituais menstruais. Elas estão aprendendo a trabalhar *com* seu ciclo natural ao invés de contra ele. Menstruação supostamente é um sinal para um momento de virar-se pra dentro, se libertar de coisas antigas para abrir caminhos para as novas. Mulheres estão novamente usando seu tempo menstrual para trabalhar com habilidades "lunares" como meditação, escrita, divinação, tentar se entender melhor, liberando e banindo qualquer problema antigo para abrir caminho para crescimento e um olhar para fora, energia produtiva para o próximo ciclo. ISSO é o que realmente significa trabalhar com a Lua, com nossos próprios ciclos. É quando tentamos lutar contra esse ciclo natural é que temos problemas com ele.





Imagens: 28 Dias

setembro 18, 2014

Para onde se vai quando não se tem destino?

Indagação filosófica, poética, provavelmente já atribuída à Clarice Lispector pela internet. Mas sempre foi uma dúvida sincera: quando bebês começam a andar, para onde eles vão? O que os chama?
Tentei observar isso ao promover caminhadas guiadas pelo Leon. Acabam virando algo como um zigue-zague maluco ou perseguição a cachorros com experiências sensoriais exacerbadas.
Pra quem não sabe sou do clube dos caminhantes lentos, dos degustadores de paisagem, observadores de formigas. Mas me sinto apenas uma amadora ao lado de bebês. Cada textura diferente no chão, cada pedacinho de papel, todas as bitucas de cigarro (para meu sofrimento), cada insetinho é notado, estudado e eventualmente enfiado na boca.




A presença de objetos no chão não só é notada como eles ainda servem de oferenda à maravilhosidade da mamãe. Tenho uma coleção de pedras provenientes de caminhadas com Leon. 


Qualquer relevo um pouco mais substancial já é motivo para a escalada e, em seguida, resmungos de "me acode!"


Mas a felicidade mesmo só vem quando ele avista um dos seus - outro neném. Ou au-aus, que são quase a mesma coisa. E aí ele finalmente encontra um foco pra sua jornada: persegui-los.




Sacolas, folhas, pedras levando o tato ao delírio





Com uma cabeça mais pesada que o tronco e desníveis no solo, cair é rotineiro.

mais pedras-presente ♥ 








Louco por recipientes como é, achou rapidinho uma tampinha e lá se foram dez minutos enchendo-a de terra.




Esconde-esconde



E, novamente, encontra um dos seus. Au-au!


E resolve persegui-lo por alguns metros, até que acha objetos brilhantes e desvia a atenção



Um mar de gelo!


Ops.




É muito gratificante ser espectadora disso tudo, tentar entender a visão de mundo de um recém-chegado. É uma visão de mundo especial que te faz repensar muitas das suas ideias e prioridades. Gratidão, Leon. 


julho 18, 2014

As Pessoas da Semana VI

1. Na selva de pedra em que vivemos existem poucos momentos de união entre desconhecidos. Um deles é gol do Brasil, outro é quando aparece a velha bêbada tagarela no caixa preferencial lotado. Todos se entreolham com a expressão de "por que nós, por que esse caixa?" e se dão forças para enfrentar esse desafio, unidos. Bêbados tagarelas são sempre chatos e inconvenientes, não é?
Por sorte descobri que não e aprendi a olhar com carinho para uma ébria chata.
Existe, sim, um tipo de pessoa que passa tanto tempo sozinho, é tao ostracizado e tem tanta vontade de falar que acha agradável até a companhia de gente bêbada: velhinhos.
Assisti por alguns minutos a bonita dinâmica da bebum invadir o espaço pessoal da velhinha com elogios e opiniões não-solicitadas, ela não conseguir resistir e começar a falar sobre toda sua trajetória de vida com orgulho. (enfermeira aposentada, 84 anos, ajudou na fundação do HRAN, teve dois filhos, tem netos e bisnetos) Quando se despediram a velhinha tinha um ar muito leve e a senhora bêbada continuava bêbada e gritando, mas de uma maneira que agora soava agradável.




2. Tenho uma nova vizinha à esquerda.  Como é de praxe ainda não a vi, mas já sei que: come pipoca de microondas, pizza de microondas, faz sexo com o namorado o final de semana inteiro (comigo como ouvinte) e assiste televisão. Eu estava com medo de ter entrado em um vórtex temporal e morar ao lado da versão mais jovem minha e do Isaac, evitei a todo custo olhar para os novos moradores, todos sabem qual a regra principal das viagens no tempo e o que acontece se você quebrá-la. Mas um dia saí e vi a varanda: cheia de plantas bonitas. Definitivamente não sou eu no passado. É apenas alguém que já ganhou meu coração fornecendo a bonita visão.





3. No parquinho de areia encontramos essa menininha de quatro anos super disposta a conversar e bem focada na tarefa de fazer seu bolo de aniversário de areia. Ela não sabia de quem era o aniversário, estava concentrada apenas na tarefa de fazer a festa. Brigou inúmeras vezes com o Leon porque ele tirava os palitinhos que faziam as vezes de vela de cima do bolo. Quando finalmente conseguiu reunir as crianças e comemorar o aniversário, uma mosca começou a atazanar. Depois de espantá-la, ela conclui: "foi um aniversário muito estranho, tinha uma mosca"



julho 16, 2014

A Grande Jornada Imobiliária

Rejeito a idéia do lógico, abraço a incoerência, sempre achei que um anão vestido de palhaço matar oito (rip orkut) era um ótimo jeito de lidar com as coisas, me sentia privada de preconceitos nesse sentido. 
Mas aí você precisa começar a lidar com problemas de adultos e as coisas precisam fazer sentido. Acho que por isso que quando pensava no futuro minhas duas saídas eram: suicídio ou morar no meio do mato. Mas me vi obrigada a viver pelos termos padrões, constituí família e agora cheguei na parte mais dolorosa da vida adulta: lidar com o mercado imobiliário. 
Mercado imobiliário é a Magali dançando no largo do carioca da vida adulta. E ela está com duas katanas e uma bazuca, ou seja, não tem nada de engraçado. Só é aterrorizante e sem sentido. Não existe senso de realidade em cobrar mil e oitocentos reais mensais de aluguel em uma espelunca de 55 metros quadrados que parece ter sido habitado por morcegos a partir de mil novecentos e setenta, quando os donos se mudaram. 
Estou vivendo esse processo há alguns meses: abre site, perde oitenta porcento dos cabelos ao ver valores, vai visitar, acha até algo interessante, criam impedimentos para você, te roubam trezentos reais. Cada vez mais sugam sua energia vital e dinheiro, deve ser um esquema vampírico. 
Ao notar que nunca conseguirei pagar dois mil e quinhentos reais em um aluguel, já que é só a partir desse valor que finalmente começam a aparecer coisas mais assépticas, já cogitei: ir morar em alto paraíso, ir embora pro Canadá, dar trela pra algum sultão pelo okcupid, e, no auge do desespero, estudar para concurso público. 
As prospeções não são boas e amanhã é um dia de caça, então deixarei algumas imagens para inspirar o futuro imobiliário de vocês também


mil e trezentos reais

mil quatrocentos e cinquenta reais

dois mil e novecentos reais

dois mil e novecentos reais

novecentos e cinquenta reais (e 40 m²)

novecentos e cinquenta reais (40 m²)
mil quatrocentos e cinquenta reais
mil seiscentos e cinquenta reais

mil e trezentos reais (42 m²)
e esse? esse é até legalzinho, né?
dois mil e novecentos reais.

junho 13, 2014

Maio em pixels I






Mês de Leon, mês de Isaac. Foi tão cheio que terei que dividir esse post em dois.


convidados mais lindos e ilustres dessa brasilia, como pode se ver



releitura de uma foto de 2007







ikea monkey
em uma tarde de sábado saímos para dar um passeio despretensioso, comprar maçãs. deixei-o livre andando pelo chão, o resultado foi ótimo: caçava galhos, coisinhas miúdas, plantinhas. Leon será um ótimo companheiro explorador.



"essa folha é tão maneira que vou inventar uma expressão facial aqui e agora para o tamanho da minha admiração"







sem garrafa
com garrafa



ele fugiu pra baixo desse prédio. alguns dias depois quase alugamos um apartamento aí, eu considerava sinal divino, mas no final das contas foi só uma imobiliária dando golpe mesmo. 






e eu atrás